as aulas
Primeira Aula (09.09.06-sábado)
A partir da metodologia desenvolvida no processo de pré-produção do projeto, optou-se por uma estratégica de mostrar referências e conversar sobre a visão do grupo em relação a Vila Itororó; isso foi feito com exercícios e atividades que abordavam diferentes materiais, estimulando também a relação do corpo em contato direto com a máquina fotográfica.
Durante a aula eram realizadas continuas comparações a partir de fotografias não relacionadas com o local e com os materiais apresentados, discutindo estéticas e diferentes características da Vila.
Foi tomado como exemplo a série Acqua , de Rosa de Luca, onde os alunos foram colocados diante de uma visão de imagens distorcidas e modificadas pelo computador que remetem a questões sobre cores, movimentos e técnicas utilizadas pela artista. Além disso, foi apresentada a possibilidade de produção de séries fotográficas.
Os alunos questionaram o material de Luca, no sentido de entender o processo de produção e o resultado dos detalhes presentes nas imagens. Usando como exemplo o espaço que os cercava, o grupo identificou rapidamente as plantas que brotavam entre os tijolos que haviam naquela confusa construção ao seu redor comparando-as as imagens de Luca; e logo Henrique e Luiz começaram a tirar fotos sobre esses detalhes da arquitetura local.
Na seqüência, foi mostrado o trabalho fotográfico de Caio ReiseWitz e Vitor Rodriguez; o primeiro levantando questões sobre imagens periféricas, através do livro Periferia e o segundo apresentando formas que traduzem a hiper-realidade na fotografia (quase desenhos), com imagens de pessoas em diferentes situações.
Para exemplificar que o espaço tridimensional da Vila seria formatado no espaço bidimensional da fotografia foi utilizada uma pedra como exemplo, mostrando todos os seus lados e uma foto do mesmo objeto. Deste exercício foi estabelecida a relação do corpo com a câmera fotográfica, aplicando assim, a atividade "Olho na lente", mostrando para cada aluno o que acontece na lente da máquina quando se tira a fotografia, relacionando a ação da lente com a ação do piscar do olho, pois a fotografia só se realiza quando entra luminosidade através da lente da máquina.
Tomando o trabalho de Lygia Clark, "caminhando ", a questão da relação do corpo com o objeto foi aplicada através do exercício de produzir, somente com tiras de papel, recortes e fragmentos com as mãos, criando a analogia entre: a ferramenta e o corpo. Após alguns minutos os alunos começaram a diversificar o corte das tiras de papel, utilizando outras partes do corpo além das mãos, tais como, braços, cotovelos, boca, queixo, constando-se que a exploração do corpo do alunos para realizar alguma atividade já estava sendo explorada.
Outra técnica utilizada que merece ser mencionada foi o exercício de passar para o papel uma imagem enquadrada através das mãos, limitando a utilização de somente duas cores de lápis coloridos para a produção dos desenhos. Assim, os alunos começaram a notar mais detalhes da arquitetura que estavam representando, como a seqüência de tijolos em uma casa, além de perceber as acontecimentos momentâneos da Vila, ao representar um carro que acabara de estacionar no pátio.
A técnica do olho como lente foi utilizada, resultando em uma atividade que privilegiou o levantamento das diferentes visões que um artista pode ter sobre um mesmo objeto, a partir de dois enquadramentos iguais produzidos por alunos que desenharam objetos diferentes. Numa outra técnica, foram fotocopiados os desenhos dos alunos, a fim de introduzir questões sobre cor e processo de reprodução em diferentes formatos através de meios tecnológicos.